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Análise: CD Aroma da Adoração – Eliane Silva

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Eliane Silva é uma das muitas cantoras pentecostais que assinaram contrato com a gravadora Som Livre nesses últimos tempos, apostando em novos rostos no segmento gospel. Após o bem sucedido, Senhor do Tempo pela Sony Music Brasil, o próximo lançamento da cantora era muito aguardado por seu público. Aroma da Adoração é um disco mais pop do que pentecostal, produzido por Melk Carvalhedo, Paulo César Baruk e Wesley Ross.

É importante destacar que o disco seguiu bem a temática proposta, com um repertório eclético composto por nomes de peso, como Moisés Cleyton e Tony Ricardo. De cara, nos deparamos com Meu Alvo, a primeira canção do disco com um arranjo de cordas consistente, além de um vocal maduro da intérprete, mostrando o que vem por aí. Destaque para a guitarra e o piano de Henrique Garcia e Rafael Fagundes, respectivamente. Canções como Vai Ser Melhor, Meu Milagre e O Imutável deixam suas marcas no álbum, todas essas tem em sua essência uma pegada pop.

Na sequência, Eu O Verei é uma boa surpresa: arranjos fortes que lembram a essência pentecostal da cantora, acompanhado por um backing vocal de respeito composto por Paloma Possi, Jessica Augusto, Dyani Primo, Rodrigo Mozart, Gustavo Mariano e Paulo César dos Santos Rosa. Infelizmente, acerca de As Sete Cartas não podemos dizer o mesmo. É uma canção equivocada que não deveria fazer parte do repertório, mas não pela letra – pois é totalmente bíblica – e sim pela produção, que deixou a desejar e tornou-a cansativa. Na mesma situação, se encaixa Só Quero Adorar e a faixa-título, Aroma da Adoração.

Ainda, é fundamental pontuar as canções que melhor representam o pop no álbum, Eu Sou Teu Deus e Aceito o Desafio. Destaque para a bateria bem colocada de Cleverson da Silva, além do contrabaixo de Lau Gomes. Em influências pentecostais, Rainha Esther, Notícia Nacional e O Som do Vento se sobressaem – entretanto, não são canções de grande novidade. Produzida por Baruk, Volte a Sonhar é intimista e passa uma mensagem de incentivo ao ouvinte, daquelas que causam comoção ao público. O arranjo de cordas por Ronaldo de Oliveira e o naipe de cordas – Cello: Renato de Sá/Viola: Edmur Mello/Violinos: Rodrigo Moreira, Marcelo Soares e Matthew Thorpe enriquece a musicalidade.

Dessa forma, apesar das falhas perceptíveis em várias canções ao longo do disco – que mesmo assim não tiram o mérito da intérprete e dos produtores –, é possível perceber que Eliane Silva se esforçou para entregar um bom trabalho. Contudo, os três produtores não foram o suficiente e a obra causa cansaço em quem o escuta. Logo, o álbum veio para provar de uma vez por todas que o pop virou uma das principais vertentes da cantora, para decepção dos mais tradicionais que, provavelmente, passarão longe deste disco.

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Gledeson Frankly

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