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Análise: CD Graça – Paulo César Baruk

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Paulo César Baruk, que chega a seu segundo projeto pela Sony Music e comemorando quase vinte anos de carreira aos poucos vai tomando passos mais ousados e soberbos em seus trabalhos. Se em Multiforme o destaque foi para a versatilidade musical, Graça vai mais longe e incorpora um conceito amplo e fundamental no cristianismo.

2014 não é um bom ano de lançamentos no meio cristão nacional, e mesmo afirmando que o trabalho de Baruk é uma das exceções que temos, a sensação que se há hoje sobre as novas obras do mercado não são lá tão positivas. Graça talvez tenta desconstruir isso muito bem, sem criar uma sensação falsa de impacto, ou com aquele hit que gruda na mente. É um disco meticulosamente pensado, cuidado e suas surpresas não são tão óbvias.

A graça de Deus proporciona-nos uma ciência de nossa condição e do amor de Cristo. Consequentemente somos levados a pensar sobre nossas motivações e os relacionamentos com as demais pessoas, que compartilham também esta mesma vida passageira. “Perdão”, provavelmente é uma das melhores canções do tema que ouvi no meio cristão e faz a ponte necessária para discorrer a respeito da amplitude na qual a graça alcança, embora o álbum fique bem mais interessante a partir de “Assim eu Sou”. E se a graça de Deus nos proporciona o dever de perdoar nossos semelhantes, temos em mente de que as pessoas que interagimos nesta Terra são “Nossa Riqueza”. De repente, o flerte com o pop ganha força na regravação de “Nele Você Pode Confiar”, sucesso do Rebanhão de 1987 escrito por um integrante da Comunidade S8. A versão ficou bastante distinta da original, num tom mais intimista, no final com uma participação de Lito Atalaia.

O ponto alto do álbum está em “Ele Continua Sendo Bom”, um dueto com Marcela Taís. É uma balada que mostra o melhor que Baruk pode oferecer, com nuances instrumentais, uma letra fácil, porém profunda. Creio que este deveria ser o single do projeto. Mais tarde, “A Mídia” tem uma pegada bem Janires e conta como ponto positivo por se tratar de algo autoral. Em seguida, o outro interlúdio “Seven Days” ajuda o álbum a manter fôlego.

As canções que fecham o álbum são excelentes, mas como se trata de um projeto com 19 faixas, é praticamente impossível não causar cansaço ao ouvinte. Talvez seja este o maior erro de Graça, ou seja, a dificuldade de sintetizar um tema tão amplo em poucas músicas. Por outro lado, a capa do disco é simples, direta, inteligente e foge do padrão comum, também não pecando em exageros.

Em Graça, resta a certeza de que Baruk segue um caminho difícil, mas diferente do que a maioria dos músicos cristãos da cena estão fazendo. O que, entretanto soa como necessário é um poder maior de síntese.

Sobre o Autor

Tiago Abreu

Escreveu em dedicação exclusiva para o O Propagador entre os anos de 2012 e 2015 (embora haja textos de sua autoria que datam entre 2011 a 2016). Autor da Rocklogia, esteve responsável pela supervisão e revisão da maioria dos textos do portal durante este período. Atualmente, se dedica a outras atividades.

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