Análises

Análise: CD Horizonte Distante – Rosa de Saron

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Dando continuidade as análises da discografia do Rosa de Saron, hoje, resenho um dos melhores trabalhos da banda, o disco Horizonte Distante. Lançado em 2009, é o primeiro trabalho da banda pela Som Livre, uma das maiores gravadoras do Brasil. Após dois anos dedicados ao acústico de comemoração de seus 20 anos, o Rosa apresenta seu quinto álbum de estúdio. As 13 faixas conceituais e bem estruturadas fez com que o disco atingisse a marca de 100 mil cópias vendidas. Muitos fãs da banda consideram este, o seu melhor trabalho de estúdio. Dividi minha análise em três critérios importantes dentro do disco que são composições, arranjos e interpretação.


Composições

Guilherme de Sá (vocalista)

O disco inicia com O Sol da Meia Noite, letra de Guilherme de Sá e que traz um lado poético e profético muito bacana. A música é esperançosa, assim como todo o disco. O compositor carrega uma frase consigo que diz “o Horizonte pode estar distante, mas Ele existe”. Facetas poéticas pra lá de intrigantes, Menos de um Segundo vem em seguida, agora com a temática morte/eternidade, contando, de forma simples, a dura realidade do sofrimento de quem perdeu um ente querido. O que mais me atrai na banda, além do instrumental, é a forma de composição do Guilherme feita sempre na primeira pessoa. O compositor volta a escrever sozinho na quinta faixa chamada Mais que um Mero Poema que é um protesto contra a hipocrisia do país e de como a juventude vai se perdendo em seus vícios. Na sétima faixa, a minha favorita do disco, Sobre Marés & Angra que, segundo o autor, foi inspirada em uma história real na praia. É uma canção bem particular e conflituosa com as escolhas que tomamos. Um trecho bem marcante é a pequena parte do refrão que diz “eu me perdi num abismo infinito”. Quantas vezes não nos perdemos em infinidades de razões? Entre Aspas é uma música autobiográfica de vida com banda que viaja quase todos os dias para fazer shows. Os integrantes disseram no DVD Rosa na Estrada – Especial Rede Século XXI que o Rosa de Saron é um instrumento de missão. Então, eles não só fazem música, mas passam a mensagem da cruz por elas. Meu Lugar é outra bela canção que quase todas as vezes que dou play, sinto uma imensa vontade de chorar. Primeiro: pois diz muito do que sou – um jovem que tem poucos amigos e a maior parte do tempo fica no quarto escrevendo, lendo e ouvindo música. Segundo: expressa um sentimento de liberdade bem profundo. E a última composição do Guilherme sozinho é Velhos Outonos, a qual, na verdade é uma poesia musicada. O refrão embala bem e arrepia: “vai ficar ou vai correr? Vai salvar ou esquecer? Eu só quero que me ame até o por do sol”.

Considerações: eu sou muito suspeito para falar das composições do Guilherme. Sou muito fã do cara em todos os quesitos musicais. Ele de fato é uma grande referência para mim. Mas tentando deixar o lado fã de lado o elogio pelo sua espontaneidade de pôr o que ele vive de forma que se confunda com quem as ouve. É difícil fazer isso. Eu raramente consigo colocar meus conceitos de fé que creio sem que aquilo soe religioso e padronizado “gospel”. O Guilherme consegue e faz isso com uma naturalidade. Percebemos que ele não foge do cristianismo. Ele não tenta esconder que a banda é cristã e nem que ele não seja, pois isso é notório. Basta ouvir bem e ver o que se trata.


Eduardo Faro (guitarrista)

O Dudu tem uma forma de escrever muito única. O compositor é alguém único no meio artístico, isso é inquestionável. Neste disco ele não assina nenhuma música sozinho e para ser sincero, nem sei se a parte letrista tem uma pitada dele. Mas vamos lá: Folhas do Chão (parceria com o Guilherme de Sá) mostra o mesmo lado de escolhas que o “Sobre Marés & Angra”, a diferença é que aqui, é perceptível o lado de peregrino. Ou melhor, o lado de que o homem precisa rever seus conceitos, policiar-se e encontrar-se em Deus. Na Chuva ao Fim da Tarde é um rock bem empolgante e não tem como vibrar com o refrão “não tenho tempo pra fingir, não tenho tempo pra ficar aqui pois sei que nessa noite vai me iluminar”. Mesma Brisa, outra parceria com Guilherme, é uma canção que expressa o sentimento de adorador. A entrega, o desafio, o desejo de servir e pagar qualquer preço pelo evangelho.

Considerações: o Eduardo é um bom letrista e a maioria de suas composições ficarão eternizadas na vida dos Rosarianos. Neste disco ele pôs a dosagem certa que o trabalho pediu. Acredito que essa era a vibe da banda.


Rogério Feltrin (baixista)

O Lerão, apelido carinhoso dado ao Rogério, assim como o Eduardo, não compôs nenhuma canção do disco sozinho, mas rendeu muitas canções boas, o melhor, as melhores desse álbum tem uma pitada dele. A forma como o Feltrin compõe também é bem devocional. Começando por Um Novo Adeus, música que ele começou e o Guilherme terminou, fala do sentimento de saudade que os músicos sentem de suas famílias e do pouco tempo que passam com elas e logo tem que dizer adeus outra vez. Considero esta uma das melhores do disco. Me marcou muito no último ano do ensino médio. Apresentei ela a uma amiga e ela viciou também. Invisível é outra parceria com o vocalista, e reflete a realidade daqueles que não tem voz ou ao menos de nós cristãos, os quais, muitas das vezes queremos pregar o evangelho e as pessoas não param para ouvir. A freneticidade em que as coisas andam fazem com que tenhamos uma certa tristeza, mas lembramos da Luz maior. Esta é a Luz que nos possibilitou ser luz e assim somos incentivados a “crer que alguém pode escutar”. Por isso, é uma música muito, muito, muito boa mesmo! Ela ficou muito melhor ao vivo no DVD Horizonte Vivo Distante. Minha Triste Imperfeição foi uma das faixas de trabalho do disco e parceria do Rogério com Alex Alva. A parte devocional/poética do Rogério é muito agradável. Acredito que como líder da banda ele se propõe em colocar toda a sua verdade na letra, e dá muita certo. Além do mais, é uma letra que o Guilherme de Sá soube interpretar muito bem!

Considerações: as três músicas que o Rogério Feltrin assinou são muito bem estruturadas em termo de letra. São canções que refletem o lado humano em relação a Deus. Sem dúvidas, todas elas merecem destaques e a banda também por ter três bons compositores.


Arranjos

Esse álbum é digno de elogios pela versatilidade dos instrumentos a cada faixa. O som lembra muito o rock britânico, e o conjunto da obra foi bem pensado.


Interpretação

O Guilherme, como sempre, mostrou todo o seu talento e técnica vocal nesse disco. Assim como os outros integrantes, o vocalista fez sua parte e conduziu muito bem o disco a ser o que ele é: um dos melhores de 2009. Assim encerro a analise dizendo que este disco já ficou na história não só da música cristã mas do Brasil por ser um disco sólido, temático e contagiante!

Sobre o Autor

Jhonata Fernandes

Acriano, cristão reformado, estudante de música licenciatura pela UFAC, a frente do blog Dialetos & Coisas Boas e de seu vlog pessoal homônimo no YouTube.

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