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Análise: CD O Maior Troféu – Damares

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Damares, uma das mais importantes representantes da música pentecostal na atualidade é uma cantora que divide opiniões. Amada por muitos e questionada por outros, estes, geralmente alegando exagerado triunfalismo ou revanchismo em suas músicas, Damares é uma cantora inegavelmente popular.

Depois de dois discos, “Apocalipse” e “Diamante”, que se firmaram como grandes sucessos, a cantora apresenta seu mais recente álbum pela gravadora Sony Music. “O Maior Troféu” vem com a missão de manter Damares no posto de destaque pentecostal, e com o desafio de manter o sucesso de vendas de seus antecessores.

Com produção deMelk Carvalhedo e Emerson Pinheiro, “O Maior Troféu” já é, sem dúvidas, um dos discos mais comentados do ano. Coberto de expectativas, as notícias a respeito desse projeto foram constantes na mídia gospel especializada. Agora, com o cd a venda nas melhores lojas do país, vamos analisar cada faixa, a fim de saber se essas expectativas foram atendidas.

Iniciando o trabalho, temos “A vida venceu”, música de Jeann e Júnior. A música é a cara de Damares e, talvez por isso, seja o cartão de visitas do disco. Estabelecendo uma relação entre as tecnologias modernas e a impossibilidade humana de explicar a morte, a letra fala sobre a vitória de Cristo na cruz do Calvário. O destaque positivo da música é o tema que, por mais que seja exaustivamente cantado, nunca é demais, afinal trata-se da base do cristianismo. Outro ponto que merece destaque é o back vocal bem colocado e com algumas pontes interessantes.

O single e tema do disco, “O Maior Troféu”, foge da temática dos maiores hits anteriores da cantora. Talvez para se livrar da imagem de cantora de músicas revanchistas, como ficou conhecida por causa de “Sabor de Mel”, Damares optou por uma música que diz que o maior troféu que o homem pode receber, é ter o nome escrito no Livro da Vida. Com uma letra simples e bonita composta por Tony Ricardo, um dos destaques da música é a interpretação da cantora que ficou na medida certa. O arranjo vocal novamente é ótimo para a música pentecostal. Com momentos de dueto, back vocal pesado no refrão e uma bela sobreposição de vozes no final.

A temática do Arrebatamento ganha moldes pop e com detalhes trabalhados em instrumentos de sopro na música “Todo Olho o Verá”, de Moisés Cleyton. As revelações do apocalipse são cantadas de forma ordenada, culminando no refrão animado e acompanhado pelo back vocal. Alguns arranjos da música estão bem agradáveis e a progressão do back em certos momentos é interessante. A faixa começa fraca, mas vai ganhando corpo e termina muito bem.

“Pode ser Hoje”, de Tângela Vieira, fala sobre fazer tudo ao Senhor com o máximo de dedicação como se estivéssemos no último dia, afinal, a volta do nosso Salvador pode ser hoje. Uma bela letra que tem tudo para ser sucesso, embora o arranjo não tenha nada de muito impactante. Uma capela ou aumento de um tom em uma das passagens do refrão teria sido excelente para essa enriquecer o arranjo da música.

Uma das melhores faixas do disco vem agora.

“Essência da Adoração” reúne os melhores elementos das músicas anteriores em apenas uma canção. Um tema não comunmente abordado na música pentecostal – a adoração-, uma introdução excelente no piano e a melhor interpretação de Damares no disco. O back vocal que, até aqui vinha muito bem, ganha um destaque especial e cumpre seu papel com louvor. A sobreposição das vozes e um refrão simples e empolgante credenciam “Essência da Adoração” a ser uma das melhores e mais executadas músicas pentecostais de 2013.

“A Dracma e Seu Dono”, de Anderson Freire, foi uma das músicas mais aguardadas do disco, tudo por causa de sua inusitada participação especial, a do cantor Thalles. A curiosidade em torno do cantor interpretando uma música pentecostal foi grande e o resultado não deixou a desejar. A harmonia de dois artistas tão diferentes é, certamente, um dos pontos altos da faixa. De inicio, a música tem um viés sertanejo muito interessante, mas a partir do segundo refrão entra nos trilhos pentecostais sem perder o fôlego. Certamente será uma das músicas do disco mais executadas do disco nas rádios.

“Adorador” é musicalmente interessante. A faixa não tem aquele refrão explosivo típico das músicas pentecostais, mas isso não é ruim, pois a deixa menos óbvia. A música vai crescendo e no momento que viria aquele tradicional ápice mais acelerado da canção, ela diminui o ritmo. Novamente muito bem colocado, o back vocal ganha destaque encorpando a música. A composição é de Nice Santos.

Na oitava faixa aparece o que muitos esperavam que Damares fizesse o disco inteiro. “Você Mais Deus”, de Moisés Cleyton, é uma música popular, de fácil assimilação, falando sobre vitória e confiança em Deus, e com um arranjo genuinamente pentecostal.

“Sou Teu Deus” inicia como uma oração que tem como seu ponto alto, e refrão, a resposta de Deus. “Eu estou pertinho e você não vê” demonstra um Deus amoroso querendo amparar seu filho que sofre. A letra de Moisés Cleyton não é inovadora nem nada do gênero, mas é uma bela forma de fazer o pentecostal vitorioso de sempre, mas de uma forma mais singela. Destaque para a interpretação de Damares que ficou na medida.

“Alto Preço” parece feita especialmente para grupos de senhoras de igrejas pentecostais. Anderson Freire compôs uma letra interessante que fala sobre pagar o preço para chegar ao céu, pois o mais alto preço foi pago na cruz. O refrão ganha uma série grudenta de “eu to pagando, eu to pagando” que fica na cabeça. Com forte apelo popular, a música corre o risco de virar hit.

O nome “Temporal de Poder” já dá indícios do que virá na décima primeira faixa. “Tempestade de glória” e “enchente de milagres” são expressões marcantes na canção. A música composta por Tângela Vieira divide opiniões, mas considerando que faz parte de um estilo que tem em “500 Graus”, de Cassiane, um de seus hits mais marcantes, tem tudo para fazer sucesso.

Depois de duas faixas com letras simples, chega “Oração de Jabes” de Anderson Freire. A letra é bastante bíblica e apresenta esse personagem pouco conhecido de forma interessante. Os arranjos são simples e feitos para evidenciar a interpretação singela de Damares. Faixa bastante interessante pois foge do óbvio, mas ainda assim se mantém popular.

A tradicional faixa com elementos de forró, típicas de discos pentecostais, vem com “Davi ou Mical”, de Moisés Cleyton. Embora a melodia lembre outras tantas músicas do gênero, não apresentando nada de novo, a música vale a pena pela letra. Com estrofes bem trabalhadas e embasadas em no capítulo 6 de II Samuel, a canção se enriquece.

“Tô Na Estrada” é uma surpresa interessante do disco. Anderson Freire compondo e Damares cantando sertanejo universitário. A produção da música foi muito bem pensada por Melk que, caso errasse a mão, teria deixado a faixa caricata. Dentro das conhecidas limitações do estilo, é uma música digna.

O disco fecha de forma quase decepcionante com “Celebrando a vida”, uma música cercada de expectativas por reunir, além de Damares, três dos maiores talentos da nova geração da música cristã nacional: Brenda, Jotta A. e Anderson Freire. Com esses companheiros, poder-se-ia fazer uma das melhores faixas do disco, caso a música escolhida fosse mais promissora. “Adorador” poderia ter sido facilmente escolhida. A música não é ruim, pelo contrário. É um pop dançante bem executado e com um belo trabalho de back vocal. O grande problema é a sensação de desperdício de talentos em uma música mediana e sem grandes pretensões.

A coisa mais perceptível ao ouvir “O Maior Troféu” é o cuidado com o repertório. A seleção das músicas foi feita de forma cuidadosa para manter a multidão de admiradores de Damares e conquistar os amantes da música pentecostal ainda resistentes à cantora.

Em alguns momentos ao longo do álbum, tem-se a impressão de estar ouvindo um trabalho de outro tempo. Certos músicas e arranjos parecem saídos de discos do começo dos anos 2000, como “Recompensa” de Cassiane. Isso é ótimo. Damares fez um disco essencialmente pentecostal, mantendo o pop, que insiste em invadir as produções do gênero, presente, mas sob cotrole.

“O Maior Troféu” traz uma Damares musicalmente madura e em seu melhor momento. As interpretações estão mais comedidas, mas não menos fortes, como pede o estilo pentecostal. É um disco muito correto, tecnicamente bem pensado, com poucos deslizes realmente significativos e com potencial para ser um dos melhores álbuns pentecostais do ano.

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Tayse de Souza

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