Um Brinde

Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – segunda parte

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“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” (Gênesis 1:27)

“E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;” (Atos 17: 26)

Note que no primeiro texto não citei passagens bíblicas que dessem respaldo à minha tese. Por isso, quis começar a segunda parte com esses dois versos. Se você perdeu a primeira parte deste texto, leia aqui para entender melhor do que estamos falando. John Piper escreveu um artigo com 8 Motivos Bíblicos para Dizer: ‘Racismo Não!’, cujo texto comenta:

“(…) Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus.”

Vale dizer aqui que Deus não é “deus dos brancos” ou “deus dos negros”. Ele não é um orixá ou Padroeiro, Ele é o CRIADOR, único Deus e ele não escolheu um grupo étnico para chamar de filhos. Ele escolheu quem ele quis escolher e isso envolve negros, brancos, pardos, indígenas, mestiços e etc. A predestinação e escolha de Deus não envolve cor e sim graça. E como eu prometi no último texto, vou analisar algumas partes da música que considero fundamental serem pensadas por nós cristãos. Que Deus nos guie!

“Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença / Chega! Sou voz das nega que integra resistência Truta rima a conduta, surta, escuta, vai vendo / Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno / Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia / Basta de Globeleza, firmeza? / Mó faia! / Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia / Devasta esses otário, tipo calendário Maia”

Essa parte é cantada pela lindíssima Drik Barbosa e esclarece o feminismo – não como algo patético e protestado erroneamente, mas de forma inteligente e esclarecendo que a mulher não nasceu pra ser poste e nem tapete – e o racismo. Abrindo um necessário parêntese, acho eminente entendermos que o fato das mulheres serem submissas aos seus maridos, isso não significa em nada que devem ser menosprezadas. Nós, homens, devemos entender melhor o que a Bíblia quer dizer com submissão ao marido, mas isso é assunto pra outro texto. Fecha parêntese. “Luta intensa nega a minha presença” esclarece o quanto a mulher negra ainda sofre em nosso país. Este texto nem precisaria ser escrito por alguém negro e brasileiro porque grande parte da população brasileira denomina-se negra. Mas infelizmente, isso é uma realidade nua e crua ainda.

Uma amiga certa vez me disse que se sentia excluída nas rodas de conversas na faculdade porque boa parte da turma que estudava com ela eram brancos. O racismo nunca vai acontecer de forma bonitinha como pensamos, mas só o fato de você ignorar um negro de algo que ele deveria fazer parte, para mim, isso já é racismo. Outra vez, um colega disse que estava sendo vítima de comentários racistas na academia que ele malhava. Disse que todos os dias as pessoas ao seu redor faziam certas piadinhas dizendo: “Academia virou local pra todas as espécies agora né?” / “Rapaz, eu achava que só gente se interessava pra manter o corpo bonito“. Confesso que fiquei muito triste com isso e mais triste ainda por acontecer com alguém tão próximo de mim.

Basta fazer uma pequena análise no seu dia-a-dia frenético e perceber o quanto o racismo está presente em nossas cidades. E você aí achando que quando um cara ou uma moça branca dos olhos azuis não sentava do seu lado na cadeira vazia no ônibus era porque não estava cansado. Não mesmo, isso tem nome e se chama preconceito. Ainda sobre a parte da Drik: “Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia“. Aqui é usado uma metáfora bem inteligente em referência a uma atriz famosa [Cláudia Raia] com o significado do seu sobrenome. Aquilo que raia, brilha, ou seja, tem foco, luz. Mas as milhões de Cláudia’s negras do nosso país, como são vistas? (fica a pergunta no ar)

“Respeito, não vão ter por mim? Protagonista, ele preto sim / Pelo gueto vim, mostrar o que difere / Não é a genital ou o “macaco!” que fere / É igual me jogar aos lobos / Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele”

Há algumas semanas atrás, a atriz Taís Araújo sofreu racismo após publicar uma foto no Facebook e isso reacendeu o debate sobre o tema no país. O mais intrigante nisso tudo, através do trecho cantado pelo Amiri mostra com é que se fala tanto em “direitos humanos” para proteger bandidos e esses mesmos direitos não embasam em nada aqueles que são vítimas de tal preconceito. E o respeito ao próximo? E eu sempre costumo dizer a esse tipo de gente: Já que sua cor é tão bonita, não precisa falar. Mas sem se deixar abater por esses comentários, o conselho que deixo é: Mantenha a classe e honre suas raízes. Você é negro sim, mas isso não é nenhum defeito. Não há nada de errado com você. O que há de (muito) errado é com os preconceituosos que estão naquela de querer dividir o mundo por cor.

“Meme de negro é: me inspira a querer ter um rifle Meme de branco é: não trarão de volta yan, Gamba e Ringue”

Essa é a parte do Rico Dalasam e infelizmente só mostra como a sociedade nos rotula: Negro é sinônimo de bandido e branco, intelectual. O meu protesto é: Vamos lutar contra o racismo. Não com armas e nem com xingamentos, mas de forma passiva mostrando que não precisamos abaixar a cabeça e nem se sujeitar a humilhações pela nossa cor, pois nós somos iguais, amados por Deus tremendamente como qualquer outra pessoa de qualquer grupo étnico. Na próxima semana, trago a parte final do texto com a continuação da música. Um brinde!

Sobre o Autor

Jhonata Fernandes

Acriano, cristão reformado, estudante de música licenciatura pela UFAC, a frente do blog Dialetos & Coisas Boas e de seu vlog pessoal homônimo no YouTube.

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