Um Brinde

Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – parte final

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“Jesus de polo listrada, no corre, corte degradê Descola o poster do 2pac, que cês nunca vão ser Original favela, Golden Era, rua no mic Hoje os boy paga de ‘drão, ontem nóiz tomava seus Nike”

Essa é a parte do Muzzike e a poesia do “Jesus de polo listrada” é complexa. Mas eu fico com a que mais faz sentido para mim: Jesus não é racista. Listras significam mais de um cor. Daí subtende-se que Jesus não se preocupa com qual cor é mais bonita e, sendo sincero, isso nem existe. Claro que há gostos pessoais, mas isso não é fundamental e/ou relevante.

É importante entendermos que sim, é possível combater o racismo. Talvez nunca irá acabar e a tendência é aumentar. Atualmente, por exemplo, é fácil se camuflar atrás de um perfil do Facebook ou Twitter para cometer crimes deste gênero. O racismo só muda de formas, mas o caráter continua o mesmo. E sabe qual o princípio cristão contra o racismo? “Ame o seu próximo como a ti mesmo”. Não é um “ame o negrinho como se fosse um branco”.

“Se a mente daqui pra frente é inimiga O coração diz que não está errado, então siga!”

Essa é a parte do Raphão Alaafin e sintetiza a música. Em miúdos, se a nossa opinião sobre as etnias e cores é ampla, os nossos sentimentos saberão gritar pela verdade, assim podemos dizer “não” ao racismo. Não a um preconceito tão sujo que impede que as pessoas vivam melhor em sociedade. A ótica cristã que vai de encontro com a música é: o amor de Deus rompe diferença de raças e desigualdades sociais.

“Várias diss, não sou santo, imã de inveja é banto Fui na Xuxa pra ver o que fazer se alguém menor te escreve tanto”

Essa é a parte do Emicida e eu selecionei dois trechos. No primeiro, o rapper fala do ódio que sente. Se você prestar atenção bem em toda a parte dele, verá um sentimento de indignação pelo preconceito e essa desigualdade social.

“Scorsese, minha tese não não teme, não deve, tão breve Vitória do gueto, luz pra quem serve? Na trama conhece os louro da fama Ok, agora olha os preto, chama!”

O restante da música fala por si.

O meu brinde de hoje vai aos negros! Não para aqueles que são negros e se declaram pardos, mas para aqueles que sofrem discriminação por sua cor e acabam caindo na ideia de que sua cor é um defeito. Mas não é e nunca será. Se eu não falar sobre esse assunto, vou me sentir um covarde que apenas olha o problema e o aceita porque acha que não faz parte daquilo. E é como bem Martin Luther King falou: “no final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos”. Um brinde!

Sobre o Autor

Jhonata Fernandes

Acriano, cristão reformado, estudante de música licenciatura pela UFAC, a frente do blog Dialetos & Coisas Boas e de seu vlog pessoal homônimo no YouTube.

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