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  • Análise: CD Tente um Pouco Mais – Rose Nascimento

    Rose Nascimento é um dos maiores nomes da música cristã contemporânea, principalmente na vertente pentecostal. Dona de uma voz inconfundível, é reconhecida por onde passa, principalmente, pelo sucesso que fez no passado. Após lançar o disco O Menor da Casa, em 2013, de forma independente, a artista assinou um contrato com a gravadora Som Livre – que por sua vez, vem agregando diversos cantores conhecidos do público para seu casting.

    Tente um Pouco Mais foi o título escolhido para o primeiro projeto da cantora em parceria com sua nova gravadora. Distribuído nos formatos CD e DVD, foi gravado em setembro de 2014 durante a realização do Glorifica Litoral, em São Sebastião, interior de São Paulo. Com participações especiais de Robinson Monteiro e Marcelo Nascimento, o álbum traz canções de seu último disco inédito, além de outras regravações.

    Os maiores destaque do álbum são as canções Escolhido (George de Paula), Nas Mãos de Deus (Anderson Peres e Mara Peres; uma das melhores), Deus Vai Me Capacitar (Rodney Santos e Davi Vianna), além das regravações que tiveram a participação de Robinson Monteiro e Marcelo Nascimento, o irmão caçula da cantora.

    Em contrapartida, o maior erro de Tente um Pouco Mais foi seu repertório – com canções de seu último CD, pouco conhecidas de grande parte do público. Já o ponto alto do projeto ficou com as regravações, como Jerusalém, Mil Razões e a inédita na sua voz, Tente um Pouco Mais.

  • Rocklogia – The End

    Tive uma missão árdua, difícil e de grande responsabilidade este ano, aqui no O Propagador: escrever o primeiro post do ano, e agora o último. Passou-se um ano, e tão rapidamente… um ano difícil.

    E é com pesar, mas ao mesmo tempo satisfeito, que anuncio hoje, no findar de 2015, o fim da coluna Rocklogia aqui no O Propagador.

    Durante esta época de Rocklogia, tive a oportunidade de reproduzir, com minhas palavras e visões, um pouco de tudo o que já li em algumas monografias, teses de mestrado e doutorado sobre o rock cristão brasileiro, livros, notícias, entrevistas e fóruns de cada época. É claro que houveram vários erros de informação, algumas das vezes por simples confusão minha, em outras por imprecisões e omissões que já existiam nas fontes. E fiquem tranquilos, os erros cometidos foram corrigidos, e por mais que já estão ajustados, me deixaram constrangido. Aqui, faço uma menção especial ao maior erro da coluna, num post sobre o Fruto Sagrado lá nos primeiros meses do ano, cujo ex-integrante da banda, Flávio Amorim, me alertou e prontamente corrigi (acabei confundindo os integrantes na hora de escrever algo).

    Na verdade, o que me faz terminar a Rocklogia aqui é um projeto pessoal: contar e analisar, criticamente, uma história do rock cristão brasileiro, em um livro. Tenho lido e pesquisado sobre o assunto desde 2011. Há mais de dois anos, pessoas me sugeriram, mas sempre temi, afinal, é uma missão muito difícil, especialmente para mim, que sou muito jovem. Mas, anos depois, decidi aceitar o desafio, e me porei diante dele. Os textos, publicados aqui, então, são apenas rascunhos. O que eu pretendo fazer é algo muito mais profundo, e que promete citar várias bandas e acontecimentos não mencionados durante este tempo. Por isso, caso você tenha sugestões de conteúdos que faltaram, ou que poderiam ser melhor desenvolvidos, comente aqui ou entre em contato comigo. Espero que daqui a alguns anos, eu possa voltar com este material em mãos.

    Foram cerca de três anos aqui, juntamente com grande parte dos colunistas mais antigos, mas está na hora de eu me despedir do portal. De vez em quando vocês ainda verão um ou outro material meu aqui no site, pelo fato de ter muitos textos guardados para postagens futuras.

    Mas fiquem tranquilos: no ano que está chegando, o site aguarda muitas novidades, e uma nova coluna de historiografia musical, com outras pessoas, vem aí.

    Feliz 2016 a todos e… fui!

  • Análise: CD Novo Templo – Shirley Kaiser

    Shirley Kaiser é um dos novos nomes da música pentecostal e a primeira aposta da Universal Music Christian Group neste segmento. Com produção musical de Stefano de Moraes, produtor dos discos de Anderson Freire, Novo Templo é o sétimo álbum de sua carreira. Contém 13 faixas escritas por grandes nomes da música cristã, além de regravações das canções “Jesus e Eu” e “Silêncio de Deus”, com participação especial de Sanderson de Moraes.

    Desde a infância, a cantora está envolvida com a música. Shirley começou cantando nas igrejas pentecostais músicas de Lauriete, Cassiane, Rose Nascimento, Shirley Carvalhaes e Eliane Silva. Seus últimos projetos, como Deus Forte e Santidade, fizeram muito sucesso entre o público deste nicho. Contudo, Kaiser ficou durante quatro anos sem lançar nenhum projeto inédito. Segundo ela, este hiato foi essencial para o seu crescimento profissional e pessoal, deixando-a com maturidade suficiente para trabalhar futuramente. Enquanto estava produzindo, recebeu um convite para fazer parte do casting da Universal e aceitou logo de início. Após um tempo, o CD foi lançado, com projeto gráfico desenvolvido pela agência Quartel Design.

    Novo Templo, de Anderson Freire é a melhor canção para representar o disco. A faixa-título comunica uma verdade recente. Lembra o fato dos cristãos serem o templo do Espírito Santo e o sacrifício de Cristo acima de qualquer preceito religioso. Com arranjos empolgantes, a canção evoluiu em seu andamento. Acompanhada do início ao fim pelo teclado certeiro de Stefano, a música alcança o ápice na ponte. Tua História, de André Freire foi escolhida como o primeiro single do álbum. Destaque para a interpretação vocal cheia de feeling por Shirley, em cada estrofe. A canção Silêncio de Deus é um contraponto aos discursos enganosos. Além disso, também é uma regravação de Jonatas Ribeiro. Os versos salientam que os sábios falam pouco e tolos estão sempre achando que são possuidores de respostas pra tudo. Na versão de Shirley e Sanderson de Moraes, o arranjo original sofreu poucas alterações, porém não deixou nada a desejar.

    Deixa o Céu Vir, de Luciana Silva, lembra algumas canções notáveis na carreira de Shirley. Destaque para os arranjos de cordas de Stefano e Tadeu Chuff, além da bateria de Valmir Bessa e o baixo de Charles Martins. Querite, de Anderson Freire é uma canção motivacional e cumpre a exigência o público. Em Jesus e Eu, regravação do disco Tempo de Vencer, é percebível a maturidade alcançada pela cantora. Tudo que Sou, de Marquinhos Gomes, tem uma letra vertical, e a participação do mesmo em um belo dueto com Shirley.

    Ao final, o saldo é positivo. A obra mostra que Kaiser ainda tem fôlego para muito mais.

  • TOP 10 – músicas natalinas

    O natal é uma das datas comemorativas mais populares do ano, e não poderia deixar de ser. Mesmo polêmica, se mantém bastante comemorada entre os cristãos, e é tema de coletâneas, discos de inéditas e até mesmo faixas e singles. Por isso, decidimos selecionar dez músicas natalinas marcantes aqui no O Propagador. Confira!

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    Príncipe – Resgate

    Do clássico On the Rock, o Resgate cantou o nascimento de Jesus em sua canção “Príncipe”, com sonoridade um pouco natalina. Esta canção, aliás, traz um belo solo de guitarra e um refrão marcante: “Maravilhoso / Conselheiro / Deus forte / Pai da eternidade / E príncipe da paz“. (1995)

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    É Natal – Tanlan

    A banda de rock alternativo Tanlan também entrou na vibe de canções natalinas e lançou, especialmente, este single, que teve suas vendas revertidas para o Lar Restaurar, um projeto social em Porto Alegre. A sua versão em videoclipe também apresenta bastidores da gravação da canção. (2013)

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    Alegria de Natal – Quatro por Um

    De uma coletânea, a banda Quatro por Um gravou uma canção natalina, chamada “Alegria de Natal”, contendo a letra mais básica de todas até aqui. Ouça. (2014)

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    Biquíni de Natal – Marcos Almeida

    Após deixar o grupo Palavrantiga, o cantor Marcos Almeida ingressou em carreira solo e já lançou um single e clipe, a canção “Biquíni de Natal”. Com um título atípico e com influências de bossa, o cantor mineiro ganha o nosso sexto lugar aqui na lista. (2014)

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    É Natal – Kades Singers

    Nos anos 90, o Kades Singers fazia a sua estreia no meio musical com um disco completamente natalino. É Natal, carro-chefe do álbum, segue a temática de todas as demais canções, no entanto, trazendo o conceito coral que sempre imprimiu suas músicas. (1996)

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    Maria Saibas que – Cristina Mel e Marcus Salles

    Uma das parcerias mais bem-sucedidas do final da década, Cristina Mel se juntou ao então vocalista do Quatro por Um, Marcus Salles, neste dueto que tem temática natalina. “Maria Saibas que” foi lançada numa coletânea de músicas de natal. (2009)

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    Vem Chegando o Natal – Aline Barros

    Apesar de ter sido lançada há mais de uma década e de ser uma versão, “Vem Chegando o Natal” é até hoje uma das canções evangélicas de natal mais conhecidas e tocadas no país. No fim dos anos 90, Aline Barros gravou um EP só com canções de natal, algo que ainda era pouco prático no meio musical. (1998)

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    [tab title=”3º”]

    Uma Noite de Paz – Fruto Sagrado

    Uma das canções mais fortes e questionadoras sobre o natal, o Fruto Sagrado lançou “Uma Noite de Paz”, uma canção praticamente acústica, tratando do viés comercial do natal, sendo a música mais atípica do nosso TOP 10. Assim, sua letra enfatiza o quanto as pessoas se esquecem do verdadeiro sentido do natal e reforçam a quem a data é realmente direcionada. (2003)

    https://www.youtube.com/watch?v=tz4_DClFuY8

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    Nasce a Esperança – União Central Brasileira

    Com a participação de vários músicos adventistas, “Nasce a Esperança” ganha nossa medalha de prata, com seu arranjo vocal bem produzido. A faixa conta com os vocais de Leonardo Gonçalves, Laura Morena, o grupo Novo Tom, Arautos do Rei, Regina Mota, Sonete, Fernando Iglesias e Daniela Araújo. (2009)

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    É Noite em Belém – Grupo Elo

    O primeiro lugar, obviamente, vai para o saudoso Grupo Elo, com a música “É Noite em Belém”. Escrita em 1979 pelos vocalistas Jayrinho e Paulo Cezar, ficou guardada por várias décadas, até que foi remasterizada e lançada para o público. De forma poética e muito bem conduzida, temos, aqui, a melhor música natalina do meio cristão. (2010)

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    Gostou de nossa lista? Mande esse TOP 10 para as pessoas que você ama, desejando-lhes feliz natal! Até breve.

  • Análise: CD Acústico 10 Anos – Rede Ativa

    Acústico 10 Anos é o novo lançamento da Rede Ativa, dois anos depois de lançar o álbum Caixa Preta. A produção musical ficou a cargo de Victor Pradella, guitarrista e vocal da banda O Muro de Pedra, que toca atualmente com o cantor Rodolfo Abrantes. Foi gravado no estúdio DSN em São Paulo e o resultado foi positivo. A banda trabalhou com as músicas de mais sucesso e as inéditas deram boas pistas sobre o futuro do grupo.

    A primeira faixa, Barato Muito Louco, conhecida pelo grupo jovem das igrejas G12 por ser bem animada, aparece aqui intimista. Em seguida, Deixa Eles Pensarem soa mais reggae que a versão original. Inegociável é a primeira inédita. Balada, acompanha a evolução contida no último projeto.

    Regue a Semente começa com um beat box e é a melhor versão neste trabalho. O arranjo dos violões foi um diferencial. O Mundo a Meu Favor é introduzida por palmas e tem, dentre sua instrumentação, ukelele e violão. As palmas continuam e aos poucos novos sons vão surgindo. Os Mortos não Ouvem, segunda inédita, tem sua dose e estética flashback.

    Amigo combinou gaita, o violão e boa interpretação de Daniel Passamani. Lado a Lado é outra regravação de Caixa Preta. Bora Pedro é mais uma inédita e o single do disco. Minha Balada também recebeu um novo arranjo diferente e de destaque. Rede ao Mar, maior sucesso do Rede Ativa, fecha bem o disco juntamente a 10 Anos R.A. e seu tom autobiográfico.

  • Rocklogia – Citações

    Este é o post mais simples, e talvez o mais “divertido” da Rocklogia. Em grande parte dos textos aqui já publicados, utilizei de citações e citei entrevistas. Mas está na hora de apresentar, aqui, uma série de citações interessantes, alguma até então pouco conhecidas.


    “Somos amigos da galera do G3. Nos afastamos na época da saída deles da Renascer, coisa de igreja, infantilidades denominacionais, mas amamos os caras”. [Zé Bruno, sobre saída da Oficina G3 da Gospel Records, Ruben Mukama, 2012]

    “Conheci o Rebanhão que… na minha época era como se fosse o Metallica do meio gospel (risos), era o terror de todos os pastores e eu me tornei uma versão piorada de tudo isso”. [Marcão, sobre sua inserção no rock cristão, no The Talk GO!, 2015]

    “Nós queríamos entrar na igreja com bateria e guitarra com som distorcido. No início houve um certo preconceito, depois eles aceitaram”. [Carlinhos Felix, sobre o início do Rebanhão e as resistências de cristãos, Folha de S. Paulo, 1991].

    “Pois é, coragem é sinônimo de Catedral! Queiram ou não temos história, fatos, resultados que confirmam tudo isso, enquanto muita gente ainda tem que comer muito feijão com arroz em vários sentidos…”. [Kim, sobre declarações de Marcos Almeida acerca do Catedral, O Propagador, 2013]

    “Fiz de tudo. Meditação, ioga. Um dia, aqui em São Paulo, o pastor Estevam Hernandes Filho, idealizador da Fundação Renascer, me viu tocando e disse para eu tocar para Deus. Eu disse: esse cara tá meio pirado”. [Brother Simion, sobre sua conversão religiosa, Folha de S.Paulo, 1993]

    “[…] não inventaram nada depois de Beatles e Queen!” [Dudu Borges, sobre suas referências musicais, Ruben Mukama, 2008]

    “Havia um cenário muito criativo desde os anos 60. Várias canções de autores famosos expressavam o melhor de suas angústias, desejos e celebrações. Algumas letras foram de fato tocantes para muitos corações e, creio eu, usadas por Deus ao menos para despertar indagações e sonhos”. [Wolô, em entrevista pessoal, 2015]

    “As pessoas ainda pensam que música evangélica é bater bumbo na praça”. [Marco Salomão, sobre a incipiência do mercado evangélico, O Globo, 1991]

    “Não acho que seja a MK a responsável pela mudança nas bandas. Sempre falei que ela é empresa, não entidade filantrópica. E uma empresa é boa quando sabe fazer dinheiro. O profissionalismo acima do comprometimento com a verdade, sim, transforma o caráter de uma banda ou cantor. A MK não é babá espiritual de ninguém. A falta de palavra, se seriedade, de honestidade, tudo isso que em geral vem no kit com a fama é que faz uma banda se transformar da noite pro dia”. [Bênlio Bussinguer, sobre a MK Music, Dot Gospel, 2005]

    “Quero agregar o máximo de bandas e artistas nessa caminhada. O que eu lamento, é que muitas vezes me sinto o único a pensar assim. Todos estão tão preocupados com o seu, e em fazer a sua história, que esquecem que juntos a gente pode ir mais longe”. [Fábio Sampaio, sobre sua ligação com outras bandas do novo movimento, O Propagador, 2014]

    “Já tocamos com moçada pesada, como os Ratos de Porão. O som da gente é semelhante. A diferença está nas letras”. [Luciano Manga, sobre a agenda da Oficina G3, Folha de S.Paulo, 1993]

    “Em tempos em que o “serviço de implantação de novos produtos no mercado” andava de vento em popa entre as gravadoras e as rádios, a música “Eu quero sol nesse jardim” já tocava em FMs jovens. Nem a Legião Urbana soaria tão caricaturalmente Legião Urbana quanto naquela balada de violãozinho com vocal empostado e letra sobre jardins, luz da manhã e azul do céu”. [Ricardo Alexandre, no artigo Catedral e o Juízo Gospel, 2013]

    “Acho que podemos falar algo sobre o rock gospel nacional, que é a nossa praia e que em geral é fraco, poderia ter mais qualidade e ser mais inovador principalmente, além de proporcionar mais espaço aos novos compositores que surgem e desaparecem a cada ano por falta de espaço”. [Arvid Auras, sobre o rock cristão brasileiro, Super Gospel, 2005]

    “[…] como banda, posso dizer que originalmente Stryper foi uma das grandes influências do Oficina G3”. [Duca Tambasco, sobre as influências musicais dos integrantes da Oficina G3, Troféu Talento, 2009]

    “Só costumo ouvir as minhas músicas”. [Paulinho Makuko, sobre suas preferências musicais, Super Gospel, 2004]

    “Sou um artista pop. O meu CD tem de tudo, de baião a rock. Por isso, não vejo por que tenha de ficar limitado às lojas de gospel”. [Carlinhos Felix, sobre parcerias com supermercados e Lojas Americanas para distribuição do álbum Toda Reverência, O Globo, 1997]

    “Acho que o “gospel” é um malabarismo entre o universo da fé e do entretenimento. Ora é culto, ora é entretenimento”. [Marcos Almeida, sobre o movimento da música evangélica, Lagoinha, 2014]

    “O rótulo “gospel” para a música de conteúdo cristão foi uma imposição mercadológica”. [Murilo Braga, sobre o movimento gospel, O Propagador, 2015]

    “Há muito tempo que não vejo a galera do Fruto Sagrado. Marcão, Bênlio, Flávio… As letras do Fruto são demais, até hoje sinto que há uma lacuna. Ninguém faz o que eles faziam. Não conheço a nova formação, parece ser bem legal, quando digo saudades, é daqueles caras”. [Zé Bruno, sobre músicos dos tempos da Gospel Records, Super Gospel, 2015]

    “Somos um povo desunido. Não nos entendemos em diversos aspectos. Por isso não somos mais fortes”. [Jean Carllos, sobre os cristãos, Território da Música, 2006]

    “Acho que o movimento perdeu o fio da meada e se envolveu numa profusão de bandas, reuniões sem propósito, gente oportunista e falta de visão do Reino de Deus”. [Paulo Marotta, sobre o movimento gospel, Revista MPC, 2000]

    “Começamos como uma banda puramente evangelística. Viajávamos, por exemplo, até 22h de ônibus sem ganhar nada para levar a palavra de Deus em vários estados do país”. [Bênlio Bussinguer, sobre o propósito do Fruto Sagrado, para a Revista Eclésia, 2004]

    “Quando começamos, ninguém falava de Rookmaaker ou Schaeffer. Não existia um embasamento teórico/teológico para o que a gente fazia”. [Fábio Sampaio, sobre o seu início com a Tanlan, O Propagador, 2014].

    “Vivemos em uma sociedade cada vez mais sectária, excludente, onde tudo é categorizado, dividido, rotulado, departamentado para que aquele que faz parte do grupo A não se misture com o B. Entendemos que a mensagem do Evangelho é de inclusão, mistura, unidade e não de divisão. Procuramos contextualizar a música e a mensagem para que não exista essa divisão entre “rock cristão’, “rock secular”, louvor, evangelismo ou qualquer outra segmentação. Fazemos música. Fazemos rock. Pregamos o evangelho”. [Fábio Garcia, sobre o rótulo “rock cristão” na música dos Militantes, Super Gospel, 2015]

    “Fui para e escola com a manga da camisa maior que todas as outras crianças e ai o pessoal pegou no meu pé”. [Luciano Manga, sobre seu apelido, Super Gospel, 2003]

    “Eu não tenho idéia de gravar um CD gospel. Sou evangélico, mas meu trabalho é este. Quero fazer música para todos aqueles que estão no “mundão”. Quero passar uma mensagem positiva”. [Rodolfo Abrantes, sobre planos de carreira ao lado do Rodox, Super Gospel, 2002]

    “A banda Oficina G3, por exemplo, é rock’n roll puro e da melhor qualidade”. [Carlinhos Felix, sobre o preconceito com certos ritmos musicais, G1, 2012]

    “Existe um enorme preconceito. O mínimo que uma igreja poderia fazer era acompanhar a banda, fechar as portas e levar a galera pra prestigiar o trabalho e ajudar a evangelizar, mas não é isso que acontece. Alguns ainda criticam porque estamos lá no meio. Não entendo muito bem como funcionaria essa evangelização (rs). Mas enfim, ninguém vence a guerra sem um exército, concorda?” [Marcelo, sobre a apresentação da banda PontoCom num evento não-religioso, Super Gospel, 2004]

    “O Tchu, antigo baixista tinha saído, e eu queria tocar com a banda. Afinal, quem não gostaria, até um funkeiro como eu gostaria de tocar no Kats, mesmo sendo rock. Finalizando, o Simion saiu dali e foi falar para o Ap. Estevam o que a gente conversou”. [Jadão, sobre sua entrada no Katsbarnea mediada por Brother Simion, Super Gospel, 2005]

    “Sendo bem honesto, a gente não tem medo de nada. Acho que um dos grandes diferenciais do G3 é esse: a gente faz o que dá na cabeça”. [Jean Carllos, sobre o filme Histórias e Bicicletas, Guia-me, 2015].

    “Aonde chegaremos com tanto legalismo e distorções teológicas a respeito da arte? Será que em nosso atual “ambiente” ainda existe oxigênio criativo? Quantos observam estarrecidos a ditadura da mediocridade que impera em grande parte das livrarias, programas de TV, rádios, gravadoras e igrejas?” [Marcão, em artigo, Dot Gospel, 2004]

    “[…] só depende do público gospel exigir na programação de TV, rádios e jornais mais a presença da música gospel. São mais de 26 milhões de evangélicos no país (público tem: é so começar a correria!)”. [Betinho Fonseca, sobre a presença da música evangélica e do Juízo Final nas grandes mídias, Super Gospel, 2003]

    “Tem muita gente hoje que é referência no Brasil porém, para mim, o Oficina G3 é exemplo de compromisso com o Reino e com o público”. [JT, sobre suas referências, Super Gospel, 2004]

  • TOP 10 – melhores clipes de 2015

    As produções visuais no cenário nacional cristão estão a todo o vapor. De ano em ano, produtoras e diretores se destacam assinando grandes trabalhos. Em mesma instância, independentes se sobressaem. Pensando nisso, o O Propagador preparou a lista dos melhores clipes de 2015. Confira nossa seleção e exponha seus comentários:

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    Fornalha – Pedras Vivas

    Mesmo utilizando-se de um clichê no meio evangélico, clipes com testemunhos, “Fornalha” se sobressai pela qualidade das imagens e da atuação dos atores. A música dá título ao mais recente trabalho da banda goianiense pela Universal Music.

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    Vento – Dilson e Débora

    Adventistas, Dilson e Débora se destacaram este ano por “Vento”. Uma das produções mais bem produzidas e pretensiosas do ano, as imagens densas transmitem melancolia.

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    Acredito – Leonardo Gonçalves

    A canção “Acredito” é uma versão de “We Believe” do Newsboys, feita especialmente para o filme Você Acredita?. Com direção de Hugo Pessoa, responsável por outros trabalhos de Leonardo, o clipe também foi exibido nos cinemas junto com os créditos finais. Tendo como base a imagem de Leonardo dentro de um templo, a música revisita o filme se transformando em uma espécie de trailer musical. Uma curiosidade é que o vídeo já passou de 5 milhões de visualizações em menos de 1 ano.

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    Ser Alguém – PG

    Versão de “Be Somebody” do Thousand Foot Krutch, “Ser Alguém” foi escolhida como a principal faixa de S.E.T.E., novo trabalho de PG pela Som Livre. A balada segue uma estrutura comum em sua carreira solo, flertando suavidade pop com refrães mais incisivos do hard rock. As imagens foram gravadas nos Estados Unidos, com a direção de Marco Túlio e produção de Thiago Makie, da BME Multimídia. Para a gravação, PG utilizou uma guitarra Washburn e homenageou sua esposa, Rosana.

    https://www.youtube.com/watch?v=rt1OiSd2Fzg

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    Porque eu Te Amei – Ton Carfi

    O álbum Somos Um (Som Livre, 2015) colocou o paulista Ton Carfi no rol dos grandes nomes da música cristã contemporânea nacional. Sempre misturando estilos musicais, Ton, que é mais conhecido por suas músicas pop eletrônicas encontrou na delicada e emotiva “Porque eu Te Amei” o single perfeito para seu disco. O clipe da canção, dirigido por Toddy Ivon, consegue capturar a veia emocional do cantor que divide o protagonismo do vídeo com seu piano branco e uma pequena e carismática bailarina, responsável pela cota da delicadeza.

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    O Bilhete e o Trovão – Os Arrais

    Parte do CD/DVD As Paisagens Conhecidas, Os Arrais chegaram ao terceiro trabalho explorando as possibilidades audiovisuais da música. “O Bilhete e o Trovão” é parte desta produção, dirigida por Hugo Pessoa. As imagens foram gravadas em Olinda, cidade de Pernambuco. A letra foi escrita por Tiago Arrais, e segundo o compositor, é baseada “naquele momento em que os valores tradicionais do que a gente entende por fé cristã são colocados à prova”.

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    Vem – Quarto Fechado

    “Eu vejo um conflito / Meu livre arbítrio / Onde foi parar”? Single do álbum Labirinto Meu, “Vem” é carro-chefe de um disco que questiona bases teológicas na realidade cristã pós-moderna. Na narrativa que o clipe segue, o amor é um campo de possibilidades para quem se entrega. As imagens contam a história de um jovem frequentemente atormentado por seus pensamentos e recordações de um passado criminoso.

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    Nossa Canção – Gabriela Rocha e Leonardo Gonçalves

    Dirigido por Hugo Pessoa, “Nossa Canção” se destaca por trazer um entendimento geral do que é dito por “filhos de Deus”. Negros, brancos, ricos, poderosos, são caracterizados na produção que se destaca por seu teor conceitual.

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    Do Avesso – Paulo César Baruk

    “Do Avesso”, faz parte do álbum Graça, lançado em 2014. O clipe foi gravado nos Estados Unidos, em uma parceria da Salluz com a Sony Music Brasil. Baseado no capítulo 15 do livro de Lucas, o roteiro faz uma releitura da parábola do filho pródigo, onde o próprio Baruk interpreta o personagem que resolve se aventurar e, logo depois, se arrepende da decisão.

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    Ame Mais, Julgue Menos – Marcela Taís

    Com direção de Bruno Fioravanti, “Ame Mais, Julgue Menos” é caracterizada pela sua espontaneidade. Marcela Taís é autora e intérprete da canção que está a frente do álbum Moderno à Moda Antiga. A qualidade da fotografia, além dos locais onde as cenas foram gravadas, rende à produção o primeiro lugar em nosso pódio.

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  • Análise: CD Casa de Deus – Eli Soares

    Eli Soares é um dos novos nomes da música cristã contemporânea, com uma trajetória musical recente, porém já reconhecida pelo êxito. Em 2010, o músico lançou o seu disco de estreia, Casa de Deus, de maneira independente. No entanto, foi a partir de 2013, quando assinou um contrato com a gravadora Universal Music Christian Group que ganhou notoriedade.

    Em 2014, o intérprete relançou seu álbum de estreia pela nova gravadora. A grande novidade para este trabalho foi o projeto gráfico, produzido pela Quartel Design. Casa de Deus possui 12 faixas influenciadas pela black music e temperos pop. O disco foi produzido pelo próprio cantor, que também é engenheiro de som, juntamente com Celson Ramos e Thiago Marinho. Além disso, Viviane Donner e Eli ficaram responsáveis pelo backing vocal.

    Deus Está Aqui, é uma regravação já conhecida por boa parte dos ouvintes, pois é um dos corinhos mais cantados nas igrejas evangélicas, e foi escolhida para abrir o álbum, todavia temos aqui uma versão pop, destaque para as guitarras bem colocadas de Cicinho e Adson Sodré. Com uma letra que versa sobre o arrependimento, Me Ajude a Melhorar é o primeiro single do disco e foi uma das canções mais tocadas do cantor. A música se sobressai através da bateria de Adriano Pezão e o violão de Fernando Martins Lilico na introdução. Tudo Que Eu Sou, Quero Louvar e Graça são as músicas que melhor representam as baladas do álbum. Minha Oração e Morada são canções intimistas. A primeira tem uma letra que fala sobre a renúncia ao nosso eu e os teclados de Marcus Abjaud fizeram toda a diferença. Na segunda, a simplicidade foi essencial para o bom andamento. Com um tom introspectivo, Eli e Celson souberam conduzir com excelência os arranjos destas músicas que são os grandes destaques do projeto.

    Neste CD, podemos ver o bom desempenho de Eli interpretando as suas canções com certa facilidade, destaque para seus agudos e melismas – sua marca registrada. É de se admirar a agilidade vocal do cantor, não à toa já considerado um dos maiores nomes da música cristã da atualidade. Portanto, deve-se afirmar que Casa de Deus comprova a versatilidade musical do artista, que mesclou diversos estilos que conquistaram o público.

  • Rocklogia – Figuras à parte, fundamentais!

    Já parou para pensar na quantidade de músicos e cantores que, apesar de não fazerem exatamente (ou exclusivamente rock) foram fundamentais e ativamente participativos na cena? Por isso, neste post, vamos falar um pouco sobre eles.


    Vencedores por Cristo: O grupo musical cristão mais importante dos anos 70, tinha uma estética musical que transgredia qualquer limite de gêneros. Revelando grandes músicos, algumas canções da banda e seus compositores seriam gravadas pelo Rebanhão, especialmente a clássica “Viajar” (1985), escrita por Sérgio Pimenta.

    Edson e Tita: Dupla formada pelos músicos Edson Lobo e Tita Lobo, os instrumentistas gravaram o primeiro trabalho, juntos, em 1982. Chamado Novidade de Vida, o álbum até esteve em nossa lista dos 100 maiores álbuns da história da música cristã brasileira, e com este projeto os músicos cariocas se apresentavam em uma série de locais, especialmente teatros, com a banda Rebanhão e a atriz Darlene Glória (pseudônimo de Helena Brandão). O segundo disco foi lançado em 1990, chamado Partiu do Alto, pela Gospel Records. E lá estavam eles no meio dos roqueiros da Renascer…

    João Alexandre: Ex-Vencedores por Cristo, João criou outro grupo ainda muito jovem (Pescador). Participou do disco Janires e Amigos (1985) do ex-Rebanhão Janires. Mais tarde, Alexandre ingressou no Milad, grupo que não era de rock, mas tinha seu posto dentre os conjuntos jovens da época. Em carreira solo, lançou seu primeiro disco em 1991 pela Gospel Records com produção do tecladista Pedro Braconnot. E lá estava ele no meio dos roqueiros da Renascer… Anos depois, participaria do disco O que na Verdade Somos (2003), do Fruto Sagrado. Aliás, em termos de discurso e contestação, João Alexandre é roqueiro por natureza.

    Banda Fé: Foi um grupo de curta duração. Lançou apenas um vinil e tocou no disco Janires e Amigos. Mais tarde, alguns membros deste grupo fundaram o Banda & Voz.

    Banda & Voz: Com um som muito mais próximo do que pode se chamar de soul e black music, a Banda & Voz cresceu num espaço pouquíssimo explorado no meio evangélico, até mesmo nos dias de hoje. Mas eles estavam bem mais próximos dos roqueiros do que de muitas outras pessoas. Com uma parceria antiga com os integrantes do Rebanhão, membros do grupo participaram de vários discos como backing vocals: Natan Brito participou do disco Semeador (1986). Mais tarde, Carlinhos Felix escreveu e gravou o sucesso “Falando de Vida” no disco homônimo, e Beno César tocou baixo com o Rebanhão num curto período, em substituição de Paulo Marotta. Nos anos 90, Pedro Braconnot produziria alguns discos de Marina de Oliveira e Cristina Mel ao lado de Natan e Jolce Brito.

    Novo Som: Talvez uma das três maiores bandas pop que o meio cristão brasileiro já conheceu, o Novo Som cresceu e se popularizou, de certa forma, sozinho e isolado. Uma banda jovem, mas não pertencente ao circuito do rock cristão propriamente dito, a banda até adotou uma certa aproximação com o Catedral, ao longo dos anos. Mito participou de um dos discos do Catedral e ambos grupos lançaram um disco ao vivo juntos em 2013.

    Actos 2 ou Kadoshi: Banda que se aventurava em diversos sons, mas identificava-se na proposta jovem das bandas de rock, foi crescendo vertiginosamente em sua carreira, especialmente nos anos 90.

    Cristina Mel: Durante certo período, a mais importante e conhecida cantora evangélica de seu tempo, Cristina teve seus primeiros passos diretamente guiados por Pedro Braconnot e Natan Brito. Amante dos grupos de rock cristão (o Sinal de Alerta, por exemplo), Cristina por algumas vezes se apresentou próxima a eles e fez até regravações.

    Renascer Praise: Surgida para ser a banda de louvor da Renascer em Cristo (Katsbarnea era a banda da igreja até então), a instituição centralizou (ou monopolizou) o movimento das bandas de rock cristão nos anos 90. O primeiro disco, e vários, contém a participação de Zé Bruno, Brother Simion, Luciano Manga e outras figuras.

    Amaury Fontenele: Amaury que usava o rock e a vibe do rap para constituir sua carreira musical, ainda foi produtor e parceiro musical de Brother Simion, Luciano Manga e da banda Fruto Sagrado.

    Patmus: Banda pop revelou Dudu Borges, que mais tarde seria integrante do Resgate. Um de seus ex-integrantes, Cris de Matteis, ainda produziu o disco Eclipse (Brother Simion) e Na Estrada (Walter Lopes).

    SILVA: Cantor que se destaca cada vez mais na cena pop-MPB nacional, foi produtor musical e principal compositor de várias canções de seu irmão, Lucas Souza. Produziu, também, o Palavrantiga.

    Leonardo Gonçalves: Admirado pelos integrantes da Oficina G3 e vice-versa, Leonardo subiu ao mainstream da música cristã de uma forma muito incomum: Preservando sua arte e agindo com extremo perfeccionismo. Ao conseguir agradar públicos muito diferentes, o cantor mostrou versatilidade participando das sessões de gravação do álbum Histórias e Bicicletas, ainda se juntando a Mauro Henrique e Guilherme de Sá nos shows Loop Session + Friends.

  • Entrevista: Militantes

    O PROPAGADOR – Nesse novo disco vocês colocaram muitas influências do hardcore melódico, tal qual bandas como Dead Fish e CPM 22. O novo vocalista foi quem trouxe essa influência?
    Todos nós escutamos e gostamos dessas bandas. Não só o Filé, mas também o Douglas Cocão que está tocando baixo, trouxeram várias ideias e composições novas. Este novo álbum tem influências de todos da banda.


    Além da mudança que ocorreu com a entrada de um novo vocalista, quais são as maiores diferenças entre este disco e o anterior?
    Além da nova formação, com o Filé nos vocais e o Douglas Cocão no baixo, esse disco representa uma nova fase da banda, mais madura e consistente. O álbum tem músicas com uma pegada mais pop-rock e músicas mais hardcore. Não temos a intenção de nos prendermos a um único direcionamento estético. Estamos abertos a novas ideias e sonoridades. Esse trabalho traduz bem o momento espiritual e familiar de todas da banda. A produção das músicas é um ponto alto também. O produtor foi o Fernando Gambine e a gravação foi dirigida pelo Ricardo Cecchi no estúdio Cia do Som. Diferente dos outros CDs, esse tem um produção mais caprichada e diferenciada que acrescentou muito às músicas. Tivemos também participações de grandes amigos, como Zé Bruno (Resgate) e do Matheus Bird.


    Vocês tem dito que o álbum tem dois lados. Como são exatamente estes lados?
    São treze faixas. Seis delas tem uma sonoridade mais pop-rock e congregacional, outro grupo de seis músicas tem uma pegada mais hardcore e a faixa “Ah, o Amor…” faz essa transição entre os dois lados. Essa música o Filé já tinha há bastante tempo e gostávamos muito dela. Ela acabou virando uma faixa de interlúdio entre o lado mais pop-rock e o lado hardcore.


    É a segunda vez em que Zé Bruno grava uma música com vocês. Qual a relação da banda com os caras do Resgate?
    Todos os integrantes do Resgate fazem parte da nossa caminhada. Eles sempre nos acompanharam como pastores, além da influência como músicos. Desde o primeiro disco, eles tiveram uma influência muito grande na banda. Somos fãs do Resgate e ter o Zé Bruno participando do disco, é uma grande honra. Temos eles como referência.


    Como foi a produção do clipe “Último e Primeiro”?
    Toda a produção, concepção e execução do clipe foi feita pelo Kako Alves, baterista da banda. Foi gravado no Estúdio Backstage em São Paulo com grande ajuda do Alfredo Cappuci. Como a música tem um clima mais dançante, o videoclipe segue essa temática com um visual com muitos efeitos de luz, além de um grande painel de led, que foi a “estrela” da produção. Gostamos muito do resultado final.


    Muitas pessoas enfatizam uma divisão entre o “gospel” e o “secular”, o “sagrado” e o “profano”. Em sua opinião, esta separação, em termos musicais, deve existir?
    O mundo precisa de amor e não de divisão. De união e não de segregação. Não queremos dividir, queremos multiplicar, queremos somar. Precisamos olhar para o próximo com mais amor e respeito ainda que pensamos de forma diferente. Como cristão, acredito que toda divisão vai contra a mensagem do evangelho. Isso vai muito além de música. Uma postura mais agregadora, compreensiva e respeitosa contribui para vivermos em um mundo com mais amor e com menos radicalismos e extremismos.Fazemos música, fazemos rock, levamos a mensagem do evangelho de forma contextualizada com o mundo que vivemos. Não temos a intenção de sermos panfletários. Acredito que possamos todos sentar na mesma mesa e partilhar do mesmo pão ainda que com gostos e pensamentos diferentes. Queremos falar do amor de Cristo para os todos, tanto “gospel” quanto “secular”. Sem pré-conceitos, sem divisões, mas em amor e respeito.